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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Mudando de Casa e Ganhando uma Prima

Esse feriado foi recheado de coisas interessantes. Conto tudo!

Primeiro, que agora só ficamos na casa da Vovó. Num dos dias do final de semana, fomos na nossa casa, e tinha tanta coisa fora do lugar que até fiquei meio perdido. Acho que como nossa casa está muito bagunçada, Papai e Mamãe resolveram não arrumar a casa e ficar pela Vovó Regina mesmo... Mas eles levaram a cama deles para lá, e meu berço. Dormimos na Vovó agora, e onde fica meu berço, chamam de meu quarto, e no quarto que está a cama do Papai e Mamãe, chamam de quarto deles. Não estranhei muito não, afinal, estou acostumado a ficar na Vovó. Ouvi Papai dizendo que tinha medo que eu quisesse ir para casa, mas como meu berço está ali, não tenho porque, né? Papai também conversou comigo no dia que fomos na nossa casa. Disse que agora ficaríamos na Vovó, e que depois iriamos para outra casa, aquela que de vez em quando, visitamos. Que lá é bem grande e eu terei mais espaço para brincar. Ah, achei legal. Só fico triste que não me colocam mais no trocador onde eu podia ver bem de pertinho as figuras do Pooh, Tigrão, Leitão e Bizonho, em que todos eles estão nanando, e Mamãe sempre dizia “Shhhhhhh, eles estão nanando....”. Sentirei saudades, mas a casa da Vovó é legal... por mim, podemos ficar por lá!!!

Outra coisa que aconteceu, é que a Luana nasceu. A Luana é minha prima. Aprendi a falar bem certinho tudo o que acabei de contar. Não chamo mais ela de Nhunhu. E olha, falar está sendo fácil, é só repetir o que os adultos falam.

Ouvi muitas pessoas falando que a Luana tinha nascido. E fomos num lugar chamado hospital. Fiquei brincando com o Vovô Mario, ou o Dindo Marcelo, lá fora, enquanto Papai e Mamãe entraram no lugar. Saíram, e Mamãe me mostrou uma foto no celular, e disse que era a Luana. Era um bebê pequenininho....
Onte fomos na casa da Dinda Simone (não chamo mais ela de Tata, agora só Dinda), e Mamãe e Vovó ficaram falando que a Luana estava chegando.... fiquei aguardando.

Finalmente chegaram com o que era meu bebê conforto, e dentro dele tinha algo embalado em um cobertor rosa.
Colocaram sobre o sofá e me chamaram para ver. Era um bebê. Pequeno e bonito. Olhei de pertinho, e achei muito legal, afinal, adoro bebês! Só não gostei que não posso ficar passando a mão nela. Assim que consegui chegar pertinho, passei a mão na cabecinha dela, bem de leve, e a Mamãe disse que não posso pegar nela, pois ela não tem anticorpos. Independente do que seja isso, só sei que não posso pegar nela. Que pena! Ter prima é legal (nunca tive prima), e como me falaram que ela vai crescer e vou poder brincar com ela logo, achei mais legal ainda!

Olhei para a Dinda e ela não tem mais barrigão. Disseram que a Luana "saiu".... Repeti, mas não entendi.  A Barriga da Dinda virou um bebê.... estranho, né?
Mas entendi bem que tem coisas muito estranhas mesmo, mas que por mais que eu tente, não consigo entender. Não vou ficar pensando nisso, sei que uma hora vou entender!

Luana, seja bem vinda! Fiquei muito, mas muito feliz que chegou uma criança para a família. Viver em família de adultos, cansa! Mas eles vão te mimar muito, fazer muita bagunça com você, e te dar muuuuuito amor. Foi assim comigo!
E cresce bem rapidinho, pra eu poder te ensinar um monte de coisas. Assim, você não fica perdida como eu... as pessoas não entendem que tem certas coisas que não entendemos!!!!



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eu te Amo!!!

Mamãe é uma pessoa estranha... Nunca sei o que esperar dela! Tem vezes que me esforço para fazer uma coisa nova e ela nem dá bola, em outras falo ou faço algo super fácil e ela faz a maior festa do mundo. Ontem isso aconteceu.

Papai estava saindo de casa. Se despediu de mim, dela, e saiu. Aí Mamãe começou com um ritual que ela repete sempre!
Ela adora beijos. Vai pedindo e eu obedeço. “Beijo na boxexa.” Dou! “Na outra.” Smack! “Queixo”, “Nariz”, “Testa”, “Olho”, “Outro Olho”, “Orelha”, “Cabelo”.... Depois ela fala: “Muitos, muitos”, aí beijo ela no rosto todo. Depois tem o tal beijo de coelho, que ela encosta o nariz do meu e a gente esfrega eles. Me canso de tanto beijo e agarro a cabeça dela, encosto minha testa na dela e puxo ela bem forte pra mim...... Ela chama isso de “amassinho”! Depois bagunço o cabelo dela bastante, e acaba a brincadeira. Quanto ao cabelo, adoro pegar no cabelo dela. Ele é comprido e gostoso de pegar! Quando molhado, fica gelado e engraçado de mexer. Sempre faço bagunça nele, e brinco de esconder o rosto dela no meio do cabelo.

Ontem, após todo esse processo de beijos e bagunça no cabelo, ela disse “Te amo!” , me deu mais um beijo, e me colocou no chão. Respondi: “Eu te amo!”. Aí começou a festa.... Ela me fez repetir mais umas três vezes....

Como Papai estava saindo de moto, ele ainda não tinha saído do portão para a rua, pois tem todas aquelas roupas de astronauta que o Papai usa para andar de moto, para vestir. Mamãe correu para a janela e falou para ele que eu tenho algo para falar. Como não entendi o que ela queria dizer, digo à ele: “Moto pa Papai?” querendo dizer que a moto é do Papai...... Como as coisas que são minhas, são “du Dudu”, então se é da Mamãe é “ma Mamãe”, do Papai é “pa Papai”..... Se quero dizer que é igual a do Papai, como as motos da rua, digo: “pa pa Papai”, “ma ma Mamãe”, “du du Dudu”. Simples assim, e Papai e Mamãe entendem!

Mamãe disse que não era isso.... cochichou no meu ouvido algo que entendi bem, e entendi o que tinha deixado ela tão doida de feliz. Falei bem alto para o Papai: “Eu te amo!”... Papai fez uma cara de feliz e disse que também me amava muito. Repeti mais umas duas vezes e Papai respondeu a mesma coisa, todas as vezes com uma cara de muito feliz.

Papai e Mamãe sempre se despedem de mim quando vou dormir, dizendo: “Papai e Mamãe te amam muito”. Achei que era algo para se despedir. Mamãe sempre dizia “Te amo!”, depois de me dar beijinhos. Vovó também sempre diz “Eu te amo”. Quando eu tentava dizer, saia um “Taaamo”, mas ninguém fazia festa por isso.

Depois de tudo isso, Mamãe conversou comigo, e disse que as pessoas dizem “Te amo”, quando elas gostam MUITO de alguém. E amor é bom. As pessoas são felizes por se amarem, e que ela e Papai me amavam. Repeti: “Papai ama Dudu?”, ela disse que sim, e falou de nós três: “Papai ama Dudu. Mamãe ama Dudu. Dudu ama Papai. Dudu ama Mamãe. Papai ama Mamãe. Mamãe ama Papai.” Repeti todos e achei bem legal.

Amar é legal! E como Papai e Mamãe ficaram muito felizes quando eu disse que os amava, repetirei sempre!

Eba, mais uma palavra nova! E olha, falei direitinho!!!!


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Família

Sempre ouço as pessoas falarem sobre família, mas não entendo muito bem o que isso significa. Algumas pessoas sei que são família, outras, ainda tenho dúvidas.

Papai e Mamãe tenho certeza que são minha família. Mamãe sempre entra em casa e diz: “Olá Família amada! Cheguei!” Isso significa que Papai, Mamãe e eu somos família. Creio que a Vovó Regina, o Vovô Mario, a Vovó Iza e o Vovô Minho, são família também, pois ouço sempre Mamãe e Papai falarem a palavra família quando falam deles. Aliás sei bem que quando ligam lá em casa, qual Vovô ou Vovó se trata. Se a Mamãe fala Pai ou Mãe, sei que é a Vovó Iza ou Vovô Minho.... Se ela cita nomes, sei que são os outros avós. Se é papai que atende, é a mesma coisa. Mamãe sempre comenta com Papai que eu sei dessa diferença... Não entendo o porquê da empolgação dela. É óbvio!

Eu tenho 3 dindos.... O Dindo PC, que é marido da Tata, que é irmã do Papai.... A Tata é minha Dinda. Eles devem ser família também, né? Tenho também o Dindo Marcelo, que também é irmão do Papai. Se ele é irmão da Tata, então são todos família.

Minha Mamãe também tem irmã, a Tia Paula. Irmãos devem ser família. Todo mundo tem irmãos.... O Leo, meu amiguinho, tem uma irmãzinha neném, bem pequenininha. O João Pedro tem o Lucas. Eu não tenho irmão. Será que um dia vou conhecer um irmão?

Ontem, na casa da Vovó Regina tinha um monte de gente. Um monte de “tios”. Não conheço muito bem eles. Tinha uma menina do meu tamanho que falaram que era minha prima. Nunca conheci uma prima. O nome dela é Malena. Já entendi que quando alguém é alguma coisa e tem um nome, quase sempre ela é família. A Malena é prima. A Paula é tia, e assim por diante.

As minhas Profes, são Profes e têm nome, mas não são família.... Não entendi mais. O que é ser família? Quando as pessoas têm a mesma Mamãe, a mesma Vovó? A Malena não tem a mesma Vovó que  a minha.... Aff.... Difícil isso...

Só sei que família deve ser algo legal, pois as pessoas falam alto e riem muito quando tem uma família reunida. E todo mundo tem família... Eu sou a família do Macaco e do Tigão. Vi num livro que os amigos do Tigrão é que são sua família, e que eles se amam muito. Lá em casa Papai e Mamãe se abraçam, me olham e dizem “Papai e Mamãe se amam...” Quando eles me colocam para dormir, sempre dizem que me amam. Mamãe já me ensinou a dizer “Te amo”. Amor é algo bom. Pois sempre que as pessoas dizem isso, dizem sorrindo.

Pensando assim, a minha família são todas as pessoas que dizem que me ama. E são várias. Igual ao Tigrão!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

O que eu vou ser, quando crescer!

Um dia sei que serei bem grandão. Igual Papai. Sei também que quando as pessoas ficam grandes elas trabalham. Todo mundo trabalha. E trabalhar deve ser bem legal, pois todos os dias as pessoas vão trabalhar!

O que eu já percebi também, é que as pessoas têm trabalhos diferentes. Mamãe, Papai, Tata, os Dindos.... todo mundo faz uma coisa diferente. Foi aí que eu comecei a pensar o que eu quero fazer.

Primeiro, prestei bem atenção na conversa do Papai com a Mamãe. Todo dia, quando eles sentam juntos para comer pão (eu adoooooro pão, mas eles me dão a tal Janta. Dizem que é mais gostoso, então porque eles não comem Janta?), e me colocam sentado junto com eles, conversam sobre como foi dia. Ouço Mamãe falando de empresas. De planilhas, de números, de análise de resultados.... Assim, só entendi a parte de números.... eu já sei contar: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Mas, o que ela faz com os números? E essas outras palavras? Será que ela tem uma turminha de números sentados? Que ela faz desenho com eles? Ou será que ela ensina número para as pessoas? Ela nunca me falou que era profe.... acho que não é isso... Será que ela vende números em uma loja? Aff... Mamãe faz algo chato. Já cansei de pensar o que ela faz. Não quero fazer o mesmo que Mamãe! Sem contar que ela usa umas roupas sérias demais. Papai tem um jeito mais descontraído de se vestir!

Ele sempre fala de empresas também. Já falei que ele trabalha no mesmo lugar que eu vou pra escolinha, né? Lá é legal! Ele também sempre escolhe músicas para as “aulas” dele. Ele sempre fala de saúde e qualidade de vida. Hum... acho que Papai trabalha dançando em empresas. Mas Papai dança tão mal... Bom, de qualquer maneira, não acho tão legal assim dançar. E eu tenho bastante saúde, Mamãe sempre diz isso. Também não quero fazer o mesmo que Papai.

Já que não gosto nem do que Mamãe faz, nem do que Papai faz, fico em dúvidas com relação ao que fazer!!!
Gosto de brincar com carrinhos. Eles são legais. São coloridos e fazem um barulho legal. Adoro colocar todos eles lado a lado. Fica bonito. Fico tanto tempo colocando eles em ordem que até cansa minhas perninhas e eu tenho que sentar.
No final de semana Papai me mostrou na TV que tinha uns carrinhos correndo. É bem legal. E alguém deve dirigi-los.
Mas não sei..... andar de carro dá sono. Sempre quando sento na minha cadeirinha no carro, pego minha chupeta e meu Cheiroso e me dá sono. Acho que não quero dirigir carrinhos, não!

Outra coisa que eu também gosto muito é de avião! Ele fica lá no céu, perto da Lua e do Sol, e faz um barulho legal também. Não deve dar sono pois ele anda bem rapidão. Alguém dirige o avião, já vi nos vídeos que o Papai coloca no computador. E ainda, das vezes que fui no aeroporto, vi que o avião anda no chão também. De repente eu posso dirigir o avião igual um carro por um tempo, e quando eu cansar (e ficar com sono), eu vou dirigir no céu. Isso!!! Eu quero dirigir avião. Nunca vi ninguém dirigindo avião na rua, mas deve ser legal fazer isso.

Todo esse papo me deu vontade de brincar com meus aviões. Vou lá dirigir um pouquinho, e depois volto. Até!


segunda-feira, 9 de maio de 2011

MInha Mamãe

Na semana passada, minhas profes colocaram uma musiquinha e começaram a dançar. Pediram para que todos nós fizéssemos igual, e foi bem divertido!
Elas levantavam o braço e fazíamos o mesmo. Isso foi ficando divertido. E cansativo.... Chegou uma hora que fiquei nervoso e com sono e não quis mais, não! Nos outros dias, acontecia a mesma coisa.

Teve um dia que eu acordei com muita preguiça, e tudo me dava vontade de chorar. Na escolinha não quis fazer a tal dancinha. Fiquei sentado, olhando meus coleguinhas dançarem, caso contrário, me daria vontade de chorar. Foi um dia muito difícil.

No dia seguinte,  a Vovó não vestiu meu uniforme. Colocou outra roupinha em mim, passou gel no meu cabelo e falou que eu estava lindo. Acreditei, pois sempre fico lindo... Peguei meu Joel* e fomos para a escolinha.

Lá, o ensaio começou cedo. Dançamos a musiquinha algumas vezes, mas elas pararam antes de eu ficar cansado. Colocaram um coração com uma foto minha na minha camiseta. Ficou bem legal! E nos mus coleguinhas também. Fiquei muito curioso para ver a foto dos meus coleguinhas, mas eles não me deixaram ver não.
Fizemos uma fila, e a profe Thais falou que iriamos apresentar para as Mamães. Será que a minha Mamãe iria na minha escolinha para me ver dançar a tal musiquinha? Achei que não!

Entramos num salão cheeeeio de gente. Não, minha Mamãe não estava ali. Enquanto eu procurava por ela, minha profe me colocou do lado dos meus coleguinhas. A música começou. “Quando me perdi, você apareceu...”. Comecei a fazer os gestos da profe Thais, foi aí que me passou uma ideia genial na cabeça. Como meus coleguinhas estavam todos olhando para a profe Thais, para dançar igual a ela, eles nem notariam se eu fosse olhar no coração deles a foto que estava lá dentro. “...você é a escada da minha subida, você é o amor da minha vida....” Fui no meu primeiro coleguinha e ele não deixou. Fui no segundo, terceiro, tentei ver o quinto, sexto, quando estava chegando no final, a profe Jéssica veio me pegar. Me colocou no final da fila. Como ela não dançava, eu não tinha como imitar ninguém. Fiquei ali parado. ... “você é a espera na janela, a ave que vem de longe, tão bela...”  A profe Jésscia se abaixou e eu fiz o mesmo, ela olhou para mim, e levantou. Colocou a mão na cintura, imitei. Ficou chato. Sentei. A música começou denovo. Começou a me dar sono. A profe veio denovo e me colocou de pé e falou que a Mamãe estava ali e era para eu dançar pra ela. Eu sabia que Mamãe não estava ali, não achei ela...

Olhei para o meu coleguinha do lado, que não dançava, não sentava, não fazia nada, e tentei olhar o coração dele. Ele não deixou. O professor de Educação Física falou pra mim que não podia fazer isso. Aff... que coisa!!!

Olhei para a profe e ela mexia no cabelo. Comecei a mexer no meu. Ela deve ter mudado a coreografia desde a última vez que dancei. Depois de eu puxar muito meu cabelo a música acabou. Todas aquelas mães começaram a bater palmas e eu ajudei. Foi bem legal a parte das palmas. Todo mundo sabia essa parte da coreografia! Que legal!

Meus coleguinhas começaram a correr para as Mamães deles. E a minha? Será que ela estava naquele lugar que um dia ela me mostrou, e disse que era seu trabalho? Para mim aquilo era uma casa grandona, se ela disse que era trabalho, eu acredito nela.

A profe Jessica  me pegou pela mão e falou para eu ir com a Mamãe. Foi aí que reconheci o sorriso mais lindo do mundo: Minha Mamãe! Ela estava ali na minha frente o tempo todo, mas eu não a vi. Eram tantas Mamães juntas que eu não vi a minha. Poxa, e eu nem fiz a dancinha pra ela. Acho que ela nem notou, pois ela estava tão feliz, que acho que ela gostou da minha performance. Sentei no colinho dela. Ela me enche de beijos. Foi bom!

Depois fomos para a minha salinha e eu fiquei com muito medo dela ir embora. Fiquei grudado nela. Ela pegou comidas gostosas, suco e sentou no chão, ao lado da minha cadeira. Comemos juntos. Vi que meus coleguinhas também comiam com as suas Mamães. Então é isso o tal Dia das Mães?

Entreguei um presentinho pra ela. Lembro de quando eu coloquei minhas mãozinhas na tinta e a profe encostou elas naquela toalha. Ficou tão lindo. Mamãe gostou bastante!

Depois de tirarmos muitas fotos, de comermos um monte de coisa gostosa e de tomar um montão de suco, Mamãe pediu para eu me despedir das Profes. Legal, Mamãe vai me levar pra casa!!!

Gostei desse dia. Mamãe nunca fez lanchinho junto comigo na escolinha. E nunca me viu fazendo dancinha. Ela deve ter gostado muito, pois depois ela ficava cantando a música pra mim, e eu fazia algumas partes da coreografia que eu lembrava que as profes faziam. E mesmo gostando muito desse dia, não esquecerei da hora em que reconheci aquele sorriso no meio dos outros sorrisos. Tem coisa mais legal que ver o sorriso da nossa Mamãe? Adoro o da minha! Me dá vontade de rir junto! Delícia!

*Joel = Malinha da escola, a qual possui rodinhas e um bichinho com o nome Joel.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Meu Papai

Meu Papai participa da minha vida há uns 10 anos. Sim, hoje tenho 2, mas antes ele teve que conquistar a mamãe, o que não foi fácil... hehe

Depois que Papai e Mamãe casaram, a ideia de Mamãe era de me começar dali uns 5 anos, pois ela se considera uma mulher moderna (seja lá o que isso signifique), e queria trabalhar muito. Papai no entanto, quis que eu viesse logo para ele me levar no futebol.... e ele, como é bem esperto, convenceu mamãe logo!
Quando eu já estava lá naquele meu lugar estranho, (onde eu morava antes de morar aqui), eu ouvia a voz do meu Papai lá de longe... Às vezes ele chegava mais perto e eu conseguia ouvir mais alto, e escutei em alguns momentos ele dizendo para a Mamãe que quando eu saísse dali, ele conseguiria ter um contato maior comigo. Acho que o meu lugar estranho era estranho para ele também....

Aí quando eu saí, percebi que aquele cara de roupa azul, seria o Meu Papai. Será que todo mundo tem um Papai igual ao meu? Tenho certeza que não..... Ninguém pode ser tão alto, forte e engraçado como ele.

Desde que cheguei, meu Papai (ou Papaísss, como costumo chamar), é quem me dá banho. E o banho é sempre uma bagunça! Ele faz eu escolher um brinquedo, e juntos damos banho nele. No brinquedo e no Papai... hehehe. Ele sempre sai molhado, não adianta! Faço de conta que vou virar o chuveirinho para o lado, e sem querer miro nele! É muito engraçado!

É também engraçado quando é hora de escovar os dentes para dormir. Me agarro no Papai beeeem forte para que a Mamãe não consiga chegar à minha boquinha..... Ele foge da Mamãe, e damos muita risada. Assim como quando ele me levanta beeeeem alto e brincamos de avião. Como meu Papai deve ser o mais alto do mundo, quase alcanço o teto, dá um medo gostoso, mas como ele é muito forte, sei que posso confiar que eu nunca vou cair!

Ele trabalha no lugar mais legal do mundo. Na minha escolinha! Eu sei pois o mesmo desenho que tem no crachá dele, tem no meu uniforme. Mas ele não é profe igual a Profe Jéssica ou a Tais, ele deve fazer outra coisa. Sempre ouço ele falando em empresas. Ele deve ser profe de empresas. Não sei! Só sei que às vezes ele aparece na minha salinha e meus coleguinhas ficam morrendo de inveja que meu Papaísss aparece lá, e os deles não... É bem legal!

Meu Papai também tem uma moto beeeeem grandona. Igual a todas que passam na rua... Pergunto pra ele quando passa uma, se é a dele e ele sempre diz que é parecida. Parecido deve significar igual, né? Já subi nela, e fico muito altão.... Tem um monte de botões que dá pra mexer, e me sinto igual ao Papai. Acho até mais legal dirigir a moto que o carro.... No carro todo mundo fica sentado de lado, já na moto, só eu fico lá encima. É bem mais radical. Deve ser por isso que o Papai, o Vovô e o Dindo PC têm moto, pois os meninos da família são radicais. Já as meninas (a Vovó, a Tata e a Mamãe) dirigem carro, conclusão: meninas de carro, meninos de moto.

Papaísss é sempre muito sorridente e brincalhão. As vezes ele fica bravo quando faço alguma coisa errada, e quando ele briga comigo, faz uma voz de trovão que me deixa tão triste que dá vontade de chorar. A voz de trovão da Mamãe nem assusta tanto, mas a do Papai parece que dá uma dor na garganta, e eu choro. Ele me explica o que fiz de errado e fazemos as pazes. Não gosto quando isso acontece.

Ah, lembrei de uma coisa de quando eu era bem pequenininho: Papai me levou para meu quartinho, e lá tinha uma luz azul. Ele colocou um CD com músicas que me davam sono, e ficou ali me olhando. Antes de eu dormir, vi que o olho dele estava todo molhado. Nunca mais vi meu Papai com o olho molhado. Mamãe entrou no quarto, abraçou ele e os dois ficaram me olhando com o olho molhado. Ele disse à ela que a "ficha tinha caído", apesar de eu não ter derrubado nada. Meus olhinhos comaçaram a pesar e eu dormi. Sinto que daquele momento em diante, eu e meu Papai viramos grandes amigos. Pode ter qualquer pessoa por perto, que ele sempre é o escolhido para eu pegar na mão e levar para brincar. Sempre quando ele assiste futebol, o grito de gol dele é o mais alto. O colo dele é sempre mais protetor, e quando me machuco, o beijinho dele sempre faz sarar mais rápido.

Ainda não consigo expressar meus sentimentos, mas o meu Papai, é o cara mais legal do mundo. Assim que eu conseguir falar bem certinho, vou olhar no olho dele e falar isso de homem para homem.

(a mamãe já desconfia disso tudo, mas é melhor que ela não saiba, pois morre de ciumes da nossa relação de homem para homem)

domingo, 1 de maio de 2011

O que eu não lembro

Tem coisas que eu não lembro, mas mamãe sabe contar bem. Em detalhes.

Uma delas é como eu comecei. Pessoas começam? Aparecem? Não sei. Por isso digo que eu comecei.
Papai e Mamãe namoraram 6 anos. Noivaram. Casaram. Depois de pouco mais de um ano, acharam que faltava algo. Eu? Claro!

Quando Mamãe descobriu que eu comecei, ela fez até surpresa para Papai. Deu um par de sapatinhos amarelos para ele, com um bilhetinho que eu supostamente teria escrito. Eu? Pois é, Mamãe é estranha, às vezes!

    "Papai, ao que tudo indica, estou a caminho. Beijos, seu filho."

Papai ficou muito feliz. Até bobo pra falar a verdade.

Durante todo o tempo que fui sendo "começado", ou seja lá como seja descrito aquele tempo escuro e molhado, ouvia Papai e Mamãe falando ao longe, e algumas músicas que Mamãe cantava. Era bom, me sentia relaxado.

Num certo dia, senti que algo estava estranho. Parecia que tinha algo me apertando, meu espaço no lugar estranho ficava apertado de tempos em tempos. Isso durou pouco tempo. Até que algo bem maluco aconteceu.

Primeiro que aquela parte molhada que ficava envolta de mim começou a diminuir, até desaparecer.... Dali por diante, o lugar estranho parecia me empurrava para baixo, e isso foi ficando cada vez mais intenso. Até que apareceu uma luz muito forte. Não conseguia nem abrir meus olhinhos. Vozes altas. Frio.
Tanta coisa estranha que eu até chorei. Senti medo. Era tudo muito estranho. E mamãe? E meu lugar estranho, por quê tiraram ele de mim?

Enquanto eu pensava tudo isso, ouvi a voz de Papai. Abri meu olho. Vi uma pessoa na minha frente, todo vestido de azul. Ele sorria. Falava com uma voz bem menos abafada de antes. Gostei do rosto dele. Meu Papai!

Depois que uma moça me cutucou em várias partes do meu corpinho, me enrolou num pano, o que me deixou com menos frio, e me senti mais seguro.

Logo depois disso, Papai me pegou no colo, e ele me levou até a Mamãe..... Lembro até hoje do olhar dela, de sentir o cheirinho dela pela primeira vez....  Enquanto ela chorava, disse para mim: "Oi meu amor, eu sou a mamãe, como você é lindo"! Trocamos olhares por longos minutos. Não queria esquecer como ela era. E como era gostoso aquele calor que eu tanto conhecia. Me senti tão seguro que quase dormi....

Depois, papai me levou em um  lugar que eu via um monte de rostos sorridentes. Alguns desses rostos choravam. Papai disse que era minha família...

Aí veio uma moça, me pegou e que me colocou na água. Era bom. Era quente igual ao meu lugar estranho.

Ouvi mais vozes familiares, mas que não eram da Mamãe. Onde ela estaria? Colocaram uma roupinha em mim. Era diferente do meu lugar estranho, mas diminuia meu frio.

Fui para o quarto com mamãe, e tomei meu primeiro mamá..... Como era bom. Melhor que a água do lugar estranho. Fiquei sentindo o calorzinho e o cheirinho da Mamãe, ouvindo a voz do Papai, até que adormeci.

Sonhei com meu lugar estranho, e as imagens das pessoas se confundiam com as imagens das minhas mãozinhas, o cordão de puxar do lugar estranho, a voz da Mamãe cantando, o sorriso do Papai....

Tão quentinho, tão gostoso, tão macio, tão real....... 

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