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sexta-feira, 8 de julho de 2011

De Férias

Não conhecia a palavra, mas ontem a profe disse que estamos em férias... e que a partir de amanhã, não precisamos ir para a escola. Férias então deve ser algo ruim... Adoro ir para a escolinha, brincar com meus coleguinhas, fazer desenhos, pintar, “nadar” na areia do parquinho... Agora nem sei quando volto. Triste isso, né?

Ontem foi muito engraçado. Vovó me levou para a escola, e ao invés de colocar meu uniforme, ela me vestiu uma calça jeans com uns panos costurados nela. Me colocou um monte de blusas (aqui está friiiiio), e uma camisa de manga curta por cima (???). Depois pegou um chapéu cheio de pontinhas, e disse que eu o iria usar. Ok!

Chegando lá, adivinha quem aparece??? Minha Mamãe!!! Fiquei muito feliz... Mamãe só aparece de manhã e a noite. E, ali na escola, ela só apareceu algumas vezes; e quando ela vai, é sempre um dia diferente! Ela pediu para eu sentar no banco da frente do carro da Vovó, pois iria fazer barba em mim.... Quando Papai faz barba, ele usa aquele pincel e aquela coisa azul que ele passa no rosto para tirar a espuma, e não um lápis. Deixei Mamãe fazer aquilo, pois a cada risquinho ela dizia que eu ficava mais lindo.

Quando cheguei naquele hall que esperamos o horário de entrar, vi que meus coleguinhas estavam todos com barba, chapéu e sem uniforme... Achei bem engraçado. Mamãe me levou a um espelho e puder ver que eu também estava com barba, e ficou bem legal!

Mamãe não parava de tirar fotos, e eu fiz uma dancinha, para fazer uma graça. Ela e Vovó ficaram malucas de tanta festa que fizeram... hehe

Depois deu meu horário e entrei. Minhas profes estavam com penteados, roupas e maquiagens estranhas... Dia estranho, né? Minha profe ficou conversando com uma Mãe e eu fiquei brincando nos cavalinhos. Quando essa Mãe estava indo embora, a Profe me chamou e disse para eu dar tchau para a Mamãe.... Ops... nem tinha visto que minha Mamãe estava conversando com ela. Acho que era a tal entrega dos pareceres do semestre, que ouvi a Profe falando com uma outra Profe. Não quis desgrudar da Mamãe, mas ela insistiu que tinha que ir trabalhar e acabei cedendo.

À tarde brincamos muito, comemos muitos doces, e a Profe colocou uma musica gostosa de dançar. Não fizemos nenhuma coreografia, mas dançamos muito, cada um a seu jeito.

À noite fiquei tão cansado, que o soninho do trajeto escola-casa, durou quase umas 2 horas. Foi bem difícil acordar. Quando consegui, ouvi Mamãe contando ao Papai que a Profe me elogiou muito. Que meu desenvolvimento está dentro do esperado para a faixa etária, que minha fala está excelente, e que eu sou muito esperto, alegre, e interessado. Só quando tenho um colega novo, fico hostil.... Será que hostil significa que eu não gosto de intrusos? Hehe

Agora vamos ver se Férias é legal mesmo e se demora muito para passar. Não sei se aguento muito tempo sem colocar meu uniforme e carregar minha mala de rodinha por aí....

Ah, e Mamãe resolveu mostrar minha carinha, tudo bem que estou fantasiado, mas dá para matar a curiosidade, né? hehe


Essa camisa abrindo, não significa que tenho barrigão... é que Vovó me encheu de blusas, tá?



Isso não é um sorriso... Mamãe pede para eu mostrar os dentes, e eu obedeço!!!





Até breve!!!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Dudu, feio?

Ontem foi um dia triste, muito triste!
No domingo, eu me senti meio estranho.... estava agitado, fazendo muuuuita bagunça, muita arte. Não sei ao certo o que me deixava naquela agitação, mas eu não conseguia parar.... Parecia que eu tinha muita energia, e precisava gastar aquilo tudo. Mamãe brigou comigo (porque eu ameacei dar um tapa na mão dela) e Papai brigou comigo porque eu estava dando cambalhotas no sofá e quase caí bem feio.

Quando Mamãe briga comigo, eu fico triste, mas quando Papai briga, me dá uma tristeza sem fim, e uma vontade bem grande de chorar! Depois que eu e Papai fizemos as pazes, fiquei um pouco quieto no colo dele, e depois fiquei no colo do Dindo PC, tentando entender porque eu fiz aquilo, mas não entendi.

Ontem na escolinha foi a mesma coisa. Gritei com a Profe, e bati num coleguinha meu, pois ele não quis me dar o brinquedo que eu queria. Profe contou para Vovó que contou pra Mamãe.... ela ficou uma fera.
Chegamos em casa, Mamãe arrumou as coisas para o nosso banho, e me chamou para conversar. Sei que conversas nunca são legais, mas essa não foi NADA-NADA legal. Quando ela me colocou sentado no sofá, não quis nem saber. Não quis ouvir o que ela tinha para me falar e comecei a brincar. Ela ficou bem brava e me levou para o quarto dela, e me deixou sentado na cama. Comecei a chorar bem alto..... Ela falou que seu continuasse com aquilo, eu iria para o castigo. Continuei.  Ela me colocou no castigo. Depois que cansei de chorar, ela me tirou do castigo, me colocou na cama e fiz a mesma coisa. Castigo novamente!!!! Vi que eu teria que escutar, e escutei. Mamãe falou que a profe tinha contado que eu gritei e bati no meu coleguinha....... que era feio, que eu não podia mais fazer isso, que Papai e Mamãe ficaram MUITO tristes comigo. Pedi desculpas, mas ela falou que desculpava mas não era pra eu fazer novamente, que não posso bater nas pessoas, e que eu não gostaria de apanhar de um coleguinha. Perguntou se eu faria novamente e respondi que Não. Dei um abraço nela e um beijo, e ela disse que eu poderia voltar a brincar.

Fiquei com fome, ela me deu minha colher de silicone enquanto meu papá esquentava. Me colocou na cadeirinha, e pegou minha colher, segundo ela, para lavar.... Comecei a chorar bem alto e espernear na cadeira. Ela falou para eu parar, senão eu voltaria para o castigo. Como fiquei muito bravo, continuei. Castigo!
Quando eu saía, ela me colocava novamente sentado. Eu esperneava, gritava, me debatia, me arrastava. Teve uma hora que ela me segurou pelos braços e pediu para eu parar com aquilo. Não dei ouvidos e continuei me jogando no chão..... Ela falou que se eu queria ficar no chão, ela não me daria bola. E não deu..... Vi que ela nem estava vendo o que eu estava fazendo.... Resolvi parar. Até faltava ar, de tanto que e eu gritei e chorei.
Mamãe se abaixou, me chamou e conversou comigo. Falou que ela estava triste comigo, que eu estava sendo feio e que não adiantava eu fazer birra, pois ela não faria as coisas que eu queria só porque eu estava fazendo aquilo.

Jantei, e ela perguntou se eu queria Mimi, disse que sim. Escovamos meus dentinhos, bebi água e fui pra cama. Mamãe rezou comigo e pediu para Papai do céu me ajudar a me acalmar, e não fazer coisas erradas.

Depois ouvi que ela ligou para Papai, e chorou muito. Depois contou para a minha Dinda ao telefone que eu estava estranho desde domingo, e achava que poderia ser que eu estava sentindo a “mudança”. Ouvi esses dias algo a respeito de a gente ir morar na casa da Vovó. Ouvi Papai falando que precisariam conversar comigo a respeito de nos mudarmos para a Vovó por uns tempos. Mas eu me mudo para a casa dela todo dia, e depois, à noite, volto para casa, não entendi o que eles quiseram dizer com isso. Mas sei que em breve eles conversarão comigo a respeito. Aff.... mais uma conversa!

Sei que fiquei envergonhado com o que fiz, mas parecia que eu ainda estava com aquela energia.... vontade de fazer bagunça, de correr, teimar, bagunçar. Quando vi, já estava tentando impor minha vontade, e logo, Mamãe estava brava comigo.

Não sei o que aconteceu. Mas sei que agi errado. Vou ver se essas vontades de fazer coisas erradas, passa. Estou acostumado a ouvir das pessoas que sou calmo e bonzinho. Desde domingo tenho ouvido que estou agitado e teimoso. Acho que isso não é legal....

Vou tentar ser bonzinho... Ser malzinho, não é legal!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Falar não é nada fácil...

Falar não é uma coisa fácil. Aliás até pouco tempo atrás, eu tinha um pouco de medo de tentar falar e sair tudo errado, então eu nem tentava. Tinha vergonha!
Mamãe conta que eu não era um bebe de muitos balbucios. Era mais observador. Sou até hoje, adoro olhar, prestar atenção, e agora começo a copiar. Repito tudo o que dizem, ou fazem. Se Papai dança, eu danço. Se Mamãe deita no chão, deito junto, e assim por diante. E quando falam ou cantam ao meu lado, faço o possível para falar igual, mas é tão difíííícil!

Não há crianças do meu tamanho na minha família. E, até o começo desse ano, eu ficava com a Vovó Regina o dia todo. As vezes o Leo ia brincar comigo, senão eu brincava sozinho mesmo.
Então, um pouco antes do meu aniversário de dois anos, eu comecei a ir para a escolinha. Lá, sou o mais novo da turma. E como estou um ano atrás dos meus colegas, eles faziam um monte de coisas que eu não sabia fazer. Não sabia! Pois sou um cara bastante competitivo, e imito tudo o que eles fazem e consigo fazer igual. Até eu entrar na escolinha eu mal conseguia falar Papai e Mamãe, agora já falo muita coisa. O que não consigo falar, Papai e Mamãe entendem quase sempre a minha tentativa, e conseguimos manter um diálogo. Ou quase isso....

Também adoro cantar. A música do Gato, da Galinha Pintadinha, consigo cantá-la todinha, ou melhor, tento dizer todas as palavras. Mas o “Dona Chica-ca” e o “Miauuuuuuu” saem certinho, as demais consigo cantar o final das palavras: “Ei au ato-to... o ato-to... ão eu-eu-eu... Dona Chica-ca... se se-se... o ô, o ô ... eu Miauuuuuuu”. E quando ouço alguém contar alguma coisa, começo a repetir as palavras. É engraçado, pois todos param de prestar atenção na pessoa que está falando, começam a me ouvir, e dão risada. Já disse que adoro chamar a atenção, né? Adooooro!

Por isso digo, que não é tão simples essa coisa de falar. Entender o que as pessoas dizem, eu consigo entender completamente, mas conseguir falar certinho, com todos aqueles ‘erres’ e ‘esses’, isso é bem difícil!
As vezes eu tento falar alguma coisa, que não sai direito. Mamãe ouve e fala a palavra correta. Pede pra eu repetir. Repito. Mas não sai bem direito ainda. Ela repete mais uma vez, e pede para eu fazer o mesmo. Obedeço. Ou chega uma hora que eu consigo falar certo, ela me parabeniza e esquece a tal palavra, ou não sai de vez e ela me parabeniza mesmo assim  e finge esquecer. É que as vezes a minha boca não obedece ao que a minha cabeça pensa.

Sempre ouço Papai e Mamãe comentando com as pessoas que me ‘desenvolvi’ muito depois de ter começado a ir pra escolinha. Pois é, eles é que não fazem ideia da selva que é aquilo. Vocês acham que é fácil ter que ficar berrando para pedir mais suco para a profe, sendo que tem mais um bando de crianças gritando mais que eu? É fácil avisar a profe que quero brincar mais um pouquinho de nadar na areia do parquinho? (o que nunca dá certo, pois eu querendo ou não, sempre tenho que obedecer a profe e subir para a sala). A mesma gritaria serve para quando quero outra cor de massinha, e um amiguinho meu pega a mesma cor que eu queria e não quer trocar comigo. Adianta só chorar? Não. Aí tenho que tentar explicar com ‘erres’ e ‘esses’ que esse é meu, e esse é seu. Dificil. Cansativo!

Era muito mais fácil ficar só eu e Vovó. Era só eu esticar meu bracinho que eu ganhava suco. Brinquedo? Era só começar a chorar e olhar para o lado, que o brinquedo imediatamente aparecia na minha frente. Ir lá fora? Bastava apontar o dedinho, e a porta abria, como num passe de mágica!!!

Se Papai e Mamãe queriam que eu me ‘desenvolvesse’, era só me pedir, né? Precisavam mesmo me colocar com um monte de crianças choronas e de fala alta? Mas OK, sem ressentimentos...
Se bem que é até legal brincar com eles, e dar risada juntos... Trocar brinquedos, competir para ver quem faz desenho mais bonito, quem pula mais alto, quem faz uma cambalhota mais certinha...
Certo, escolinha também é legal. Quando estou em casa, sinto falta de ir para lá, mas quando estou lá, sinto uma falta da mordomia da casa da Vovó...

Será que Papai e Mamãe sentem falta de casa também quando estão trabalhando? E quando estão em casa, sentem falta de trabalhar? Quando eu conseguir falar direitinho mais de três palavras juntas, eu pergunto à eles e conto para vocês. Até!!!


quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Conversa

Ontem a noite, Vovô Mario foi lá em casa. Tem alguns dias que ele nos visita a noite e lancha com a gente.
Enquanto estávamos na mesa lanchando, Papai começou com um assunto nada legal. Aprontei na escola! E ele contou para a Mamãe na frente do Vovô:
“Olha só, Mamãe, o Dudu aprontou ontem e hoje na escolinha, sabia? Gritou com a profe porque ela pediu para ele sentar”. Fiquei com muita vergonha. Do Papai, da Mamãe e do Vovô. Mamãe disse que depois a gente ia conversar, mas adiantou que Papai, ela e até o Vovô ficaram muito tristes comigo. Vovô até fez cara de bravo para mim.

Depois do lanche o Vovô foi embora, Mamãe me deu banho, e falou que depois que ela tomasse banho, iriamos ter uma ‘conversa’. Fiquei com medo. A última vez que Mamãe falou essa palavra, foi quando ela estava tentando tirar minha fralda. Na época, eu fiquei com muito medo que ela brigasse comigo caso eu sujasse minha roupinha, então eu só fazia xixi se eu estivesse de fralda (na hora de mimi), ou então na hora do banho. Ela me chamou para uma conversa. Fiquei com medo que ela brigasse. Mas não, ela falou que se eu não lembrasse de pedir para ela me levar para o vaso, não tinha problema, que eu ainda estava aprendendo, e que ela não ia brigar comigo. Se eu tivesse vontade era só eu pedir que ela me levava, e se escapasse ela não ficaria brava. Depois daquilo parei de segurar, mas eu não lembrava de pedir à ela para me levar no vaso, e sempre escapava. Ouvi ela comentando com Papai que eu era ainda “imaturo” para sair das fraldas, que dava para esperar as férias, pois eu não iria para a escolinha e seria mais fácil. Não sei o que é ser imaturo, mas sei que depois ela voltou a colocar fraldas em mim. Era bem legal colocar cuequinhas coloridas, mas sempre escapava xixi, e eu ficava com vergonha. Fralda é bem mais legal, e só percebem que sujei ela quando faço um cocô fedido... hehehe

Mamãe saiu do banho e já me pediu para eu ir para o sofá. Sentei lá e esperei. Ela chegou e disse para mim que a profe contou para a Vovó que eu gritei com ela quando ela pediu para eu sentar. Que ela e Papai estavam MUITO tristes comigo. Perguntei se o Vovô também. Ela disse que sim. Continuou dizendo que não pode gritar com a Profe, e tenho que obedecer ela. E se eles soubessem que eu gritei denovo, eles iam conversar comigo mais uma vez e eu ficaria de castigo!

Papai também pediu para eu pedir “desculpa”. No desenho do Pocoyo, quando ele derruba o castelo da Eli, ele pede desculpa para ela. Acho que pedimos desculpas quando fazemos algo bem errado. Nunca tinha dito essa palavra, mas tentei, e saiu: “Dicuuupa”. Ele pediu para eu também pedir desculpas para a Mamãe e obedeci. Mamãe perguntou se eu ia gritar denovo com a Profe, e respondi que não. Mamãe me deu um beijo e falou que eu podia voltar a brincar.

Fiquei bem triste. Acho que fiz feio... Não gosto que as pessoas fiquei tristes comigo... Vou lembrar sempre antes de gritar, que eles ficarão tristes, e que com isso, eu também ficarei triste.

Agora aprendi: sem gritos! Dicuuupa!


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