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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Casa Nova e o Monstro

Finalmente estamos morando na tal Casa Nova!
Conto como foi esse processo e como estou me sentindo com mais uma mudança:

Aos poucos Papai e Mamãe foram levando as nossas coisas para lá. Um dia umas roupas, no outro, umas cobertas... Até que em um dia não fomos dormir na Casa da Vovó Regina. Meu berço apareceu em um quarto e foi ali que dormi. Mamãe me explicou que a partir daquele dia, aquela era a nossa casa, e aquele era o MEU quarto! Misteriosamente, o quarto que era meu na Casa da Vovó, ficou totalmente diferente. Ainda com alguns brinquedos meus, mas só.... definitivamente não era mais um quarto. Não era mais o meu quarto!

Desde a primeira noite, adorei tudo por lá! Meu quarto tem muuuuitos brinquedos. Alguns que estavam na Vovó Iza, outros que estavam na Vovó Regina, e alguns que sei que eram meus, mas eu nem sei onde estavam. Minha cabaninha de bolinhas fica ao lado da minha cama. É incrível ter minha própria cabana de bolinhas ali, ao lado!!! Achei por lá, vários brinquedos de quando eu era pequeno e gostava de morder. Dei todos eles para minha Prima. Ela foi logo colocando eles na boca! Ela adora isso...

Lá em casa tem uma escada, e só posso subir ou descer quando Papai ou Mamãe me dão a mão. Está sem corrimão, e assim, fica muito perigoso!
Posso também assistir aos meus DVDs na TV da sala. Papai e Mamãe quando estão ocupados com alguma coisa, deixam a sala toda para mim. Ali espalho todos os meus brinquedos e faço a maior bagunça. Escalar o sofá também é bastante divertido!

Com relação à minha rotina, algumas coisas mudaram também. Agora, ao invés de eu acordar e a Vovó estar me esperando, Mamãe me acorda cedo e me leva para a casa da Vovó. Passo a manhã com ela, e depois que almoço Mamãe passa me pegar para levar à escolinha. Passo a tarde lá e a Dinda me busca. Mamãe me pega na casa da Dinda e vamos para casa. É meio cansativo, mas é gostoso fazer tantas visitas em um dia só!!!

Claro que descobri que tem algo que não é legal. Nada legal.
Tem uma calçada em frente que eu adoro jogar bola (ou adorava)... Como tem uma descida, ela rola e preciso correr para alcança-la. Papai e Mamãe brincavam comigo, e era divertido demais. Isso até ontem.
Logo que desci do carro, ao chegarmos em casa, vi algo que me deu um medo enorme. Algo muito grande e barulhento. Era preto. De tempos em tempos ele se mexia e ficava ainda maior. À noite, era algo muito mais que assustador. Mamãe percebeu minha cara de pavor, e pediu para Papai me mostrar que ‘não era nada’. Segundo ele, era “só” um plástico preto chamado lona. Como estão fazendo umas casas do lado do nosso muro, esse... essa coisa estava ali pendurado, e Papai não conseguiu me convencer que aquilo não era nada. Conforme ele ia chegando perto e parecia que aquilo ficava maior, acabei chorando, e Papai me tirou dali.
Hoje, pela manhã, ainda demonstrando medo, Mamãe me mostrou um pedaço daquilo que estava no chão, que era ‘só um plástico igual a saco de lixo’, mas não achei nada igual... Dessa vez eles não me convenceram e ponto... as brincadeiras lá fora ficam suspensas até ‘aquilo’ sair dali. Sinceramente, torço para que isso aconteça.

Mesmo com esse pequeno (imenso, barulhento e horroroso) incidente, caso Papai e Mamãe decidam sair dessa casa, ficarei muito triste. Muito mesmo. Gosto bastante da casa da Vovó Regina, gostei muito de morar lá, mas nessa casa, sinto que ali é meu lugar! É ali que tenho todos os mus brinquedos, e também sinto Papai e Mamãe mais felizes. Não entendo muito bem porque nos mudamos tantas vezes.... deve ter sido para achar um lugar bem legal, e acredito mesmo que o lugar legal é ali! Mesmo tendo ao lado, aquele monstro imenso...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Medo do Escuro

Sou um cara muito corajoso. Não sou de ter medo de qualquer coisa, não. E quando acontece de eu ficar meio assim com alguma coisa, Papai ou Mamãe estão sempre me mostrando que está tudo bem. Mas ontem senti medo. E abri o jogo.

Sempre quando Mamãe chega do trabalho, ela sai comigo andar pelas calçadas do bairro. Ontem estava bem gostoso e saímos andar. Acho muito legal andar pela calçada e com isso aprendi muitas coisas:
- Não se deve andar na rua. A rua é para os carros.
- Devemos andar na calçada e na calçada. Senão o carro pega e machuca.

Mamãe sempre me convida para irmos andar na rua, e respondo isso para ela, ela acha lindo e diz: “Isso mesmo... você é muito esperto!”.

- Outra coisa legal que aprendi, é que quando vamos atravessar a rua, tem um botão perto de onde vamos atravessar. Se apertamos o botão e esperamos um pouquinho, o bonequinho do outro lado da rua fica verde e podemos passar. Mas só quando o bonequinho está verde. Mamãe até brinca em querer atravessar quando ele está vermelho, mas eu não deixo. É engraçado que é só o benequinho ficar verde que todos os carros param e a gente pode passar. ‘Quase’ todos os carros obedecem o bonequinho. Tem uns teimosos. Ontem mesmo, esperamos um tempão o bonequinho mudar de cor, e quando já estávamos quase na metade da travessia, um carro passou. Mamãe deu bronca no homem que dirigia o carro, e ele se foi. Mamãe ficou brava! Eu também!

- Outra coisa que aprendi, é que quando  estamos no carro, não olhamos o bonequinho, olhamos a bolinha. Se ela está verde, a Mamãe ou Papai podem dirigir. Se está vermelha, eles param e esperam mudar de cor. Sendo assim, se estamos a pé, olhamos o bonequinho; se estamos de carro, olhamos a bolinha. Verde, significa que podemos andar. Vermelho, esperar!

Demos uma passada no mercado, e Mamãe não deixou eu olhar os brinquedos que tem por lá por muito tempo. Ela disse que eu já tinha visto o suficiente, e que eu não levaria nenhum hoje, pois ontem ela deixou eu levar uma gatinha. Saí de lá chorando, pois eu queria ver mais. Fomos até a farmácia e no caminho, ela fez eu ouvir um barulho que eu nunca havia me dado conta: Grilos. Passamos numa árvore e o barulho era bem alto. Ela explicou que ele era bem pequeno e sentia medo da gente, por isso se escondia. EU é que fiquei com medo de todo aquele barulho. Fomos para casa falando sobre grilos e eu fiquei ouvindo que em todo canto havia um fazendo barulhinhos.

Em casa, ouvi que tinha algum perto. Fiquei com medo. Mamãe tentou me tranquilizar dizendo que ele é amigo, e estava lá fora. Rá! Se fosse amigo estaria ali dentro e brincando comigo. Não me convenceu e fiquei com medo.
Mamãe disse para eu ir lá no meu quarto pegar meus dragões para a gente brincar. Não consegui. Olhei meu quarto todo escuro, e por mais que eu saiba acender a luz, algo me impediu de ir. O medo.
Olhei para a Mamãe apreensivo e não fui. Ela perguntou o que aconteceu. Respondi: “Mamãe, estou com medo.” Não lembro de ter dito isso em algum dia. Nunca senti nada igual. Nunca fiquei colado no chão sem conseguir ir a algum lugar sozinho. Por medo de chegar lá e encontrar alguma coisa no escuro. Medo do escuro. Medo do grilo. Medo.
“ Medo? Medo de quê, Dudu”, Mamãe perguntou. “Medo do escuro”. Respondi. Eu não sabia bem do que eu tinha medo. Mas quando olhei o quarto escuro foi o que eu senti. Ela me pegou pela mão e disse que eu não precisava ter medo. Ela ia comigo pegar os dragões e me mostraria que não tinha nada no quarto que eu precisasse ter medo. Chegando lá, eu não senti mais medo. Liguei a luz, e realmente não havia nada que eu precisasse temer.

Pegamos os dragões, voltamos para a sala, e brincamos. Esqueci o medo, esqueci o grilo, e me senti mais forte.

Realmente no escuro não tem nada. Mas só vemos isso quando acendemos a luz.
Será que o que tem no escuro, tem medo da luz?

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